Eu vou gozar, Maria, eu vou gozar, José.
Eu vou gozar a vida do jeito que eu quiser.
E se eu fizer cagada, eu sei limpar.
Não vem cagando regra. Na regra que cê caga eu vou pisar.
Não vem ditando norma... Pensando bem, tô pensando de outra forma.
Você acha que é loucura? Eu acho que é careta.
A vida é muito curta pra ficar nessa punheta.
quinta-feira, outubro 09, 2014
sexta-feira, outubro 25, 2013
Alceu Valença é a ida pro Atalaia, Alceu é um boné do planeta Hollywood, um labrador, uma prancha, muitos fandangos e fanta uva. Alceu é a volta pra casa, uma volta de quadricículo, três horas de estrada, e saber que na segunda tinha aula. Alceu, Marisa, Caetano, Gal, Adriana, Gil e Elis, cheiram Celeiro, cheiro de Jaderlandia, de Santa Luzia do Pará e todas as Santas do caminho. Alceu tem cara de Rio de Janeiro em Castanhal, de pão de queijo e claro, de volta pra casa.
quarta-feira, outubro 23, 2013
sexta-feira, outubro 18, 2013
Resposta
Você me pergunta e eu não respondo. Não to falando de e-mail, de chamadas telefônicas, de last seen no whatsappp. É pergunta sem resposta há menos de três metros de você. Quem faz esse tipo de coisa está acostumado a falar sem ser ouvido. É tão feio, tão estranho ter gente assim por perto. Eu costumava achar que se alguém fala é pra ser ouvido, que todo tom de interrogação deve ser respondido. Continuo achando. Portanto, quando alguém pergunta alguma coisa sem parecer querer ouvir a resposta, simplesmente não responda. É a maneira mais eficaz de educar a pessoa a te ouvir, pra você não ter que falar a mesma coisa duas, três, quatro vezes, pra você ser respeitado. Porque isso é respeito e além de tudo interesse, ou a falta dele. E se você perguntar e não ouvir resposta, respire até dez, procure-a e nunca mais pergunte.
terça-feira, outubro 15, 2013
Não sei de quem é o texto, nem vou pesquisar pra saber, mas ta aí:
Toda mulher é uma puta. Inclusive a sua mãe. Toda mulher é uma puta. Inclusive a sua. Toda mulher é uma puta. Inclusive. Toda mulher é uma puta, até que se prove o contrário. Toda mulher é uma puta e cobra barato. Toda mulher é uma puta e tem seu valor. Toda mulher é uma puta e merece respeito. Toda mulher é uma puta, graças a Deus.
Toda mulher é uma puta. Quando dá na primeira noite. Quando não dá no primeiro encontro. Quando dá o cu. E quando não dá também. Toda mulher é uma puta se posa pelada. Se sai de sainha. Se sai sem calcinha. Toda mulher é uma puta quando finge o orgasmo. Quando cospe. E quando engole também. Toda mulher é uma puta chupando buceta.
Toda mulher é uma puta maldita quando fecha as pernas pra você. Toda mulher é uma puta desbocada quando fala palavrão. Atrevida quando te desafia. Sem-vergonha quando dá mole, quando dá de quatro, quando dá motivo. Quando apanha. Calada. E quando apanha. Gritando. E quando denuncia. Quando enfrenta. Quando reage. Puta mãe solteira. Quando faz um aborto, quando tira o útero. Quando joga a criança no lixo. Puta.
Toda mulher é uma puta se senta de perna aberta, se peida, se arrota, se coça o saco. Quando ganha mais que você. Quando é mais inteligente, mais sexy, mais bem sucedida, mais vivida e mais gostosa que você. Toda mulher é uma puta quando manda em você. Toda mulher é uma puta quando come mais mulher que você.
Toda mulher é uma puta mesmo sendo um cara. Mesmo se tiver barba e bigode, um pau enorme e pentelhos grossos. Seu vizinho e seu irmão. Toda mulher é uma puta se for o seu zelador. Todos somos umas putas quando estamos. Amargos, cansados, famintos, angustiados, magoados, desenganados. E quando temos dor de barriga. E quando pisamos no calo de alguém. Quando tudo dá errado. E na vitória, somos putas. E ganhando na megasena. Putas!
Então somos todos umas putinhas arrombadas no inferno e nos restaurantes fast-food. No alto do Himalaia e rodando bolsinha na alça de acesso da Marginal. Afinal puta que é puta não conhece fronteira, moral nem contra-mão. Puta que é puta não pede perdão. Nem permissão. Puta que é puta paga sua própria fiança. E sabe os filhos que tem.
terça-feira, maio 15, 2012
vencedor
É claro que existe lapso entre a pretensão e a realidade. O texto abaixo é a pretensão, esse é realidade. A mala sem bagagem é pesada ao sentimentalista e ele de depara com isso lentamente. Se os motivos não são racionais, quais serão.. caso em que não se usa interrogação porque a pergunta é retórica. Alguns mudam de coligação e perde a glória de chorar. Racional não vou ser, a resistência durará até o ultimo fio de cabelo que me cai. Quem vem do lado oposto, vem sem gosto de viver. Olha lá, que os bravos são escravos, sãos e salvos de sofrer. Olha lá, quem acha que perder é ser menor na vida. Olha lá, quem sempre quer vitória e perde a glória de chorar. A pretensão hoje a noite é essa, amanhã talvez mude, e essa é a graça, não o contrário.
sábado, maio 12, 2012
Mala
Hoje só levo o que dá, sem excedentes. Esqueço não por querer, mas por descuido de lembrar o que nunca agregou. Lembro todos os dias dos que me fizeram bem, e principalmente a quem fiz algum mal com a esperança de que algum dia eu irei de compensá-los. Mais a minha cara lavada, algumas certezas, uns mitos conscientes, poucos vícios e um coração vagabundo que não se cansa de ter a esperança de um dia ser tudo que foi. Minha sogra dizia: não importa onde estiver, esteja lá. A carga comprimiu, sedendo espaço a outras. Sobremesa está servida, na medida certa.
Nem olhei pra trás quando eu sai
Abri a porta e zás a rua tava ali
Só me importava saber que eu não esqueci
O remédio pra tomar e roupa pra vestir
O sol irá se pôr, o sol irá luzir
Enxuga o pranto vai amanhecer
Vai amanhecer enfim
O sol irá quarar, o sol irá despir
Enxuga o pranto vai amanhecer
Abri a porta e zás a rua tava ali
Só me importava saber que eu não esqueci
O remédio pra tomar e roupa pra vestir
O sol irá se pôr, o sol irá luzir
Enxuga o pranto vai amanhecer
Vai amanhecer enfim
O sol irá quarar, o sol irá despir
Enxuga o pranto vai amanhecer
sábado, abril 28, 2012
certeza
Temos tanta certeza do futuro que esquecemos das certezas do presente. A iminência do fim do presente e a chegada de um futuro próximo faz esse presente, aqui, se torne uma longa espera e não mais o presente. Se torna passado, sendo presente. Essas certezas então não existiam, caso contrário, elas iriam ser presente, sendo o futuro próximo.
segunda-feira, abril 02, 2012
Hábito
Voltei a ver telejornal, engraçado que, foi pelo mesmo motivo que parei: o filtro das notícias. Antes achava que na internet veria muito mais notícias, num período mais curto, com uma relevância maior. A teoria é bonita, a prática não funciona: as propagandas funcionam, os vídeos também, os blogs então.. e o que menos faço é ler conteúdo de alta relevância, portanto, o antigo hábito regressa. Retornou também o de desativar a conta do Facebook pra me desconectar de informações sociais desnecessárias dos outros e de mim mesma. É uma decisão drástica, mas funciona. Saber selecionar informações é um bom recurso. Pisar no freio e ter a possibilidade de digestão de algo suculento, é bem melhor que tentar acompanhar o volume de publicações de todas as literaturas do mundo, contemporâneas ou não. Estar conectado com o mundo interno é mais importante. As grandes mudanças sociais, e principalmente as individuais surgem quando estamos insatisfeitos. Que ela seja então, uma centelha. E não mais um peso. E que venha, pra ontem, logo, já
calço, descaso
Eu não contei nos dedos, mas haviam mais de dez anos que eu não entrava nele. Foi meu quintal de aventuras. Passei minha infância inteira saindo escondida de casa pra ir naquele supermercado. Me deparei com cada gôndola, que me trazia uma Luana, uma idade, uma criança que quanto mais crescia, menos adulta ficava.
Mas a gente se mudou, esqueceu aquelas gôndolas, a caixa, a sessão do Primadonna, a rua estreita e perigosa. E hoje eu achei ela por lá, com uma blusa de meia do Pernalonga de dois números maiores, meio masculina, implorando por mais umas caixas de cereal no supermercado do mês. Uma foto traz lembranças à tona, mas o lugar, mal conservado e no caso, intacto, os mesmos funcionários, resgata o que anos de terapia deveriam.
sexta-feira, setembro 16, 2011
Diagnóstico ambiental
Que história mais banal. A mesma de um milhão de canções de amor, poemas, livros, peças, filmes. Que só fazem sucesso porque são milhões de histórias verdadeiras que, bobas de longe, são insuportavelmente intensas e profundas de perto.
Depois da separação, muito depois, ele se apaixonou por outra pessoa, coisa que no começo parecia impossível. São as tais linhas tortas com as quais escrevemos nossas histórias. Sem nenhuma garantia de que a escrita final resulte certa, como dito popular atribui a Deus.
Mas é bom lembrar que a expectativa de seguir uma linha reta é irreal; o caminho é atribulado, de vez em quando imprevisível, e às vezes o que sai ao contrário do planejado é exatamente o que nos leva aonde queríamos chegar desde o começo.
Sem esquecer o pretérito imperfeito e aos ressentimentos típicos de relacionamentos rompidos.
Antes de começar alguma história real, garanta, que o outro saberá tudo sobre você, sobre o outro, por você, pelos dois, pelos três ou quatro.
quarta-feira, setembro 14, 2011
Laços
Eu gosto de chás aos vinte e dois, aos dez, eu chorava copiosamente pra não sentir o cheiro. Não tolero muita coisa, mas tenho aprendido a ser flexível.
Os suportes das bicicletas chegaram, junto com a bola; chegou também a Vogue de setembro e um suspiro aliviado da moça da banca que só vai me ver no mês que vem.
Ando recusando as ligações sobre perdas e suplícios, as ligações entorpecidas. Missoshiro está oficialmente na lista dos vícios.
Tenho estado sem administração financeira, sem a somatória das faturas; estado bem feliz ultimamente; me bastando e ainda sim quero a companhia ao lado. A plenitude dos momentos rondam a rotina. Aprendi a escutar sem ouvir o desnecessário, a ouvir o silêncio ao sorrir.
Olho pela janela e vejo o que antes não enxergava, rio de mim, dos meus acertos.
Tenho respondido perguntas sobre internacional e apreciado uns artistas brasileiros.
Tenho desfeito nós e criado laços, desfaço outros sem culpa. Tenho ido, vindo de algum lugar. Tenho dito não sei, sabendo. Eu protejo os outros com silêncio e me protejo escrevendo. Eu prefiro os laços firmes, aqueles mais difíceis de se fazer e se desfazer. Mas que quando feitos e depois desfeitos, podem se orgulhar de si proprio e falar com convicção 'eu fui um grande laço'. [...] Que é bobagem chorar por laços que parecem desfeitos, mas que continuam firmes. Alguns laços são teimosos, as vezes a gente pensa, puf, lá se foi ele, mas ele vai está sempre ali, que nem alguns amores.
Os suportes das bicicletas chegaram, junto com a bola; chegou também a Vogue de setembro e um suspiro aliviado da moça da banca que só vai me ver no mês que vem.
Ando recusando as ligações sobre perdas e suplícios, as ligações entorpecidas. Missoshiro está oficialmente na lista dos vícios.
Tenho estado sem administração financeira, sem a somatória das faturas; estado bem feliz ultimamente; me bastando e ainda sim quero a companhia ao lado. A plenitude dos momentos rondam a rotina. Aprendi a escutar sem ouvir o desnecessário, a ouvir o silêncio ao sorrir.
Olho pela janela e vejo o que antes não enxergava, rio de mim, dos meus acertos.
Tenho respondido perguntas sobre internacional e apreciado uns artistas brasileiros.
Tenho desfeito nós e criado laços, desfaço outros sem culpa. Tenho ido, vindo de algum lugar. Tenho dito não sei, sabendo. Eu protejo os outros com silêncio e me protejo escrevendo. Eu prefiro os laços firmes, aqueles mais difíceis de se fazer e se desfazer. Mas que quando feitos e depois desfeitos, podem se orgulhar de si proprio e falar com convicção 'eu fui um grande laço'. [...] Que é bobagem chorar por laços que parecem desfeitos, mas que continuam firmes. Alguns laços são teimosos, as vezes a gente pensa, puf, lá se foi ele, mas ele vai está sempre ali, que nem alguns amores.
terça-feira, setembro 06, 2011
Todo desejo nasce de uma falta
Desejar mais do que o momento gera garantia de infelicidade. Se admitirmos isso, é possível nos contentarmos mais com a vida, alegrarmos e nos sentirmos mais gratos com que já temos. Não se trata de suprir o desejo, mas de transformá-lo: de desejar um pouco menos aquilo que nos falta e um pouco mais aquilo que temos; de desejar um pouco menos o que não depende de nós e um pouco mais aquilo que depende. Todo desejo nasce de uma falta, de um estado ou condição que nos satisfaz: portanto, enquanto não for satisfeito, ele nada mais é, senão sofrimento.
O que eu pretendo dizer é, mais ação e menos expectativa; Porque ao colocar o desejo de satisfação no futuro, nos deslocamos do presente e aumentamos nossas angustias, o ciclo vicioso. Vivemos continuamente na dimensão do projeto, correndo atrás de objetos, colocados num futuro mais ou menos distante, e pensamos, ilusão suprema, que nossa felicidade depende da realização concreta de fins grandiosos! Pouco importa o que estabelecemos para nos mesmos em quatro meses ou ano que vem. Nenhuma satisfação é duradoura, ela é o ponto de partida para novos desejos e as vezes esquecemos das primeiras, como crianças que desinteressam do brinquedo no dia seguinte ao Natal.
É necessário aceitar a vida como ela é, e reconciliar-se consigo mesmo. A finalização é sem escape: a felicidade está dentro de nós, e não fora, no outro, no futuro, em universos paralelos, em sonhos, ou em outras circunstâncias. Ao constatar isso, fica bem mais fácil nos livrarmos das formas de sofrimento ocasionados pela fata que a nossa cultura fragmentária e individualista traz. Somos responsáveis pela escassez que nos aflige. Não nascemos sábios, nos tornamos. E que esta portanto, guie o caminho desse sentimento de vazio.